Você não
veio
Você
nem veio ver
como eu estava bonita,
como te esperei aflita,
impaciente, contando minutos.
Você nem sabe
como foi longo o tempo sem você,
como é difícil, mesmo assim, tentar viver.
Mas o coração que ama
tem sempre pronto o perdão,
embora no vestido, amarrotado,
apareçam marcas da espera;
no cinzeiro amontoem-se
os cigarros da solidão,
de novo me farei bonita
e te esperarei, mesmo que seja em vão!
Inda bem que você não viu
como eu estava feia ao deitar.
A cama larga,
sobrando tanto lugar;
o peito vazio,
sentindo mais se esvaziar,
contando segundos,
esperando o sono chegar
para, por segundos,
contigo sonhar!
Carlos Barros